Resposta do Dr Maurilio sobre o assunto sa Ética Global e a moralidade

Rev. Christian Lepelletier e Tod@s do ConPAZ,

Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentar o Rev. Christian Lepelletier
pela demonstração de humildade, rara em nossos tempos, manifestada através
de seu pedido "público" de desculpas "pelas palavras inadequadas da última
carta (21/05/06).

Em segundo lugar, agradeço ao Rev. Christian Lepelletier pela oportunidade
oferecida para conhecer o inspirado documento "Declaração do Parlamento das
Religiões do Mundo para uma Ética Global"
, assinado pela maioria dos 200
participantes do Parlamento das Religiões do Mundo e proclamada em 4 de
setembro de 1993, com a participação de 6.500 pessoas, o qual pude ler com
bastante atenção e satisfação.

Antes de tecer algumas considerações sobre a cordial resposta do Rev.
Christian Lepelletier ao meu e-mail de 25/05/06, gostaria de afirmar o meu
respeito pela liberdade de crença do Rev. Christian Lepelletier e dos
signatários da referida declaração, documento, insisto, inspirado,
consistente e indulgente, especialmente ao proclamar em quase todos seus
tópicos o respeito e a luta pelos Direitos Humanos e pregar a ética como
necessidade global, idéia com a qual manifesto toda minha concordância;
deste documento, destaco ainda preliminarmente, também, com minha total
concordância,  o contido nos item 3, 1, b e d, respectivamente:

"… nenhum povo, nenhuma raça, nenhuma religião, têm o direito de odiar,
discriminar, e certamente de exilar ou liquidar uma minoria ‘estrangeira’
que seja diferente nos costumes e nas crenças.""

"Sermos autenticamente humanos no espírito das nossas grandes religiões e
tradições éticas significa que, tanto na vida pública como na vida privada,
não devemos ser impiedosos e brutais, mas sim preocupados com os outros e
dispostos a ajudar. Todos os povos, raças e religiões devem demonstrar
tolerância, respeito, e mesmo alto apreço pelos demais. As minorias -
sejam elas raciais, étnicas ou religiosas - precisam de nossa proteção e
apoio."

Também, me concilio com os pontos do documento, trazidos à colação pelo
Rev. Christian Lepelletier no item 1 de sua resposta, ao destacar:

"Nenhuma ordem mundial melhorará sem uma ética global."

"ações em favor de direitos presumem uma consciência de dever, e que,
portanto devemos nos dirigir tanto às mentes quanto aos corações das
mulheres e homens; que direitos sem moralidade não podem durar muito, e
que não haverá uma ordem mundial melhor sem uma ética global."

No entanto, indago?
Qual moralidade? Visto que a própria declaração, no item 5 de suas
considerações iniciais detecta essa dificuldade:

"A declaração deve ser capaz de produzir consenso. Portanto, devem-se
evitar afirmações que a priori seriam rejeitadas por uma das grandes
religiões e, conseqüentemente, questões morais controvertidas (como
aborto ou eutanásia) tiveram de ser excluídas."

Vemos inclusive que um tipo de "moralidade"  religiosa é repudiada pelos
próprios signatários do documento (Considerações explicativas), aquela de
alguns "líderes e membros de religiões incitar a agressão, o fanatismo, o
ódio e a xenofobia – e até inspirar e legitimar conflitos violentos e
sangrentos. A religião é muitas vezes usada apenas para fins de poder
político, incluindo a guerra. Estamos desgostosos."

Quanto ao segundo parágrafo do item 1 da resposta do Rev. Christian
Lepelletier:

"…precisa de valores agregativos, convicções e normas que sejam válidos
para todas as pessoas, não importando a sua origem social, cor da pele,
idioma ou religião. Estamos convencidos da unidade fundamental da família
humana.
" (grifos meus)

Pelo contexto gerenero e ampliativo da Declaração, só posso depreender da
leitura da expressão "família humana", o alcance do gênero humano, da
solidariedade que deve unir todos os povos e pessoas da sociedade Global.

Quanto aos itens 2, 3, 4 e 5 da resposta do Rev. Christian Lepelletier,
devo dizer:

1- Nada contra o fato de as grandes tradições religiosas valorizarem o
casamento, fidelidade e o núcleo familiar tradicional; agora, é
necessário contextualizar, dentro do próprio documento transcrito em
parte pelo  Rev. Christian Lepelletier – sem inclusive adentrar, mais uma
vez, sobre o conceito de moral – o alcance da expressão "não cometerás
imoralidade sexual". Para tanto, permito-me escrever todo o item 4 da
declaração e simplesmente grifar algumas partes para delinear o que ao
meu é o efetivamente condenado naquele documento:

"4.       Para uma cultura de direitos iguais e parceria entre homens e
mulheres

a)  Incontáveis seres humanos, de todas as regiões e religiões, lutam
para viver suas vidas num espírito de parceria entre homens e mulheres,
de ação responsável nas áreas do amor, sexualidade e família. Contudo, em
todo o mundo existem formas condenáveis de patriarcalismo, dominação de
um sexo sobre o outro, exploração de mulheres, abuso sexual de crianças e
prostituição forçada. As diferenças sociais neste planeta não raro levam
à prostituição como um meio de sobrevivência, particularmente pelas
mulheres dos países menos desenvolvidos.

b)  Contudo, nas grandes religiões antigas e nas tradições éticas da
humanidade encontramos o ensinamento: não cometas imoralidades sexuais!
Ou, em termos positivos: respeita e ama o próximo! Concretamente, isso
significa: ninguém tem o direito de degradar outros a meros objetos
sexuais, forçá-los ou prendê-los numa dependência sexual. A exploração
sexual deve ser condenada como uma das piores formas de degradação
humana. Onde quer que - inclusive em nome de convicções religiosas - a
dominação de um sexo sobre o outro for pregada, e a exploração sexual
tolerada, onde quer que a prostituição seja promovida, ou que crianças
sejam abusadas, a resistência é imperiosa."

c)  Portanto, jovens mulheres e homens deveriam aprender, já em seus
lares e nas escolas, que a sexualidade é fundamentalmente não uma força
negativa, destrutiva ou exploradora, mas uma força criativa. Sua função
como formadora da afirmação da vida comunitária pode ser aplicada,
principalmente se for vivida com responsabilidade pela felicidade própria
e pela do parceiro. A relação entre homens e mulheres tem certamente uma
dimensão sexual, mas a realização humana não é idêntica à felicidade
sexual. A sexualidade deve ser a expressão e a reafirmação de uma relação
amorosa vivida em parceria. Inversamente, contudo, algumas tradições
religiosas conhecem o ideal de uma renúncia voluntária do uso completo da
sexualidade; essa renúncia pode também ser uma expressão de identidade e
uma realização significativa.

A forma de casamento socialmente institucionalizada que, apesar de suas
variações culturais e religiosas, é caracterizada pelo amor, fidelidade e
permanência, busca, e deve garantir, segurança e apoio mútuo ao marido,
mulher e filhos e assegurar seus direitos. É no casamento que a relação
entre a mulher e o homem deve ser caracterizada não por um comportamento
de superioridade ou exploração, mas pelo amor, parceria e confiança.
Todas as regiões e culturas deveriam desenvolver relações econômicas e
culturais que tornassem possível o casamento e a família dignos dos seres
humanos, principalmente para as pessoas idosas. Os pais não deveriam
explorar os filhos, nem estes os pais; sua relação deveria, sim, refletir
respeito, apreço e interesse mútuos.

d)  Ser autenticamente humano, no espírito das nossas grandes religiões e
tradições éticas no mundo de hoje significa:

em vez de dominação ou degradação patriarcal, que são a expressão da
violência e geram a contra-violência, respeito mútuo, parceria,
entendimento e tolerância;

em vez de qualquer forma de lascívia sexual possessiva, ou abuso sexual,
respeito mútuo, tolerância, prontidão para a reconciliação e amor. Apenas
o que já foi vivido no plano das relações pessoais e familiares pode ser
praticado ao nível das nações e religiões."

Com efeito, o texto se reporta a homens e mulheres, quem não é, na
humanidade, homem ou mulher?

Antes de concluir, gostaria de destacar partes do item 2 da Declaração,
que falam por si só, e devemos enaltecer:

"1.       Uma exigência fundamental: todo ser humano deve ser tratado
humanamente

…Todos sabemos que hoje, como antes, em todo o mundo mulheres e homens são
tratados desumanamente: são roubados em sua liberdade e oportunidades;
seus direitos humanos são pisoteados; sua dignidade humana é desprezada.
Mas ter poder (para) não significa ter direito (de). Ante toda a
desumanidade, nossas religiões e convicções éticas exigem que cada ser
humano seja tratado humanamente.

Isso significa que cada homem - sem distinção de sexo, idade, raça, cor
da pele, idioma, religião, opnião política, ou origem nacional ou social
- possui uma dignidade inalienável e intocável. E todos, tanto
indivíduos como Estados, são obrigados a honrar essa dignidade e garantir
sua efetiva proteção.

…Esclarecer o que isso significa concretamente é a intenção da nossa
declaração. Gostaríamos de recordar que normas éticas não devem ser
algemas e correntes, mas ajuda e suporte para os seres humanos, para que
eles sempre encontrem e realizem novamente a direção, os valores, a
orientação e o sentido de suas vidas.

Para uma atitude autenticamente humana, lembramos especialmente a Regra
de Ouro que tem sido mantida em muitas religiões e tradições éticas há
milhares de anos: aquilo que você não quer que seja feito a você, não o
faça a outros. Ou, afirmativamente: aquilo que você quer que lhe seja
feito, faça-o aos outros. Essa deveria ser a norma irrevogável e
incondicional para todas as áreas da vida, para as famílias e as
comunidades, para as raças, nações e religiões. A autodeterminação e a
auto-realização são absolutamente legítimas - enquanto não estiverem
separadas da responsabilidade individual e da responsabilidade global, da
responsabilidade pelos outros seres humanos e pela natureza. Toda forma
de egoísmo, contudo, toda auto-referência, seja ela individual ou
coletiva, seja na forma de pensamento de classe, racismo, nacionalismo ou
sexismo, deve ser rejeitada. Por isso impede os humanos de ser
autenticamente humanos.

…"Para finalizar, mais uma vez me valho da "Declaração do Parlamento das
Religiões do Mundo para uma Ética Global" que exibe extrema lucidez ao
nas conclusões do documento (item 4):

"…  Estamos conscientes, contudo, de que um consenso universal sobre
diversas questões individuais e éticas controvertidas (desde ética sexual
e bioética, passando pela ética científica e dos meios de comunicação,
até a ética política e econômica) será dificilmente conseguido. Em todo
caso, mesmo  para muitas questões ainda controversas, soluções
diferenciadas devem ser buscadas no espírito dos princípios fundamentais
aqui conjuntamente desenvolvidos.

Em diversas áreas da vida, já surgiu uma nova consciência das
responsabilidades éticas. Portanto, ficaríamos especialmente contentes se
o maior número possível de associações profissionais nacionais ou
internacionais, como as dos físicos, cientistas, homens de negócios,
jornalistas e políticos, pudessem juntar-se para ditar códigos de ética."

  Gostaria destacar, deste último parágrafo, que admite expressamente a
pluralidade de ÉTICAS.

Para me despedir deixo a todos um texto muito interessante, publicado na
Folha de São Paulo, do dia 18 de maio último, de autoria do psicanalista
Contardo Calligaris, que reflete também meu ponto de vista sobre o
conceito de moral:

CONTARDO CALLIGARIS
Em companhia de Freud
Na revista "New Yorker" de 27 de fevereiro de 2006, foi publicada uma
excelente reportagem de David Remnick sobre a chegada ao poder do Hamas,
na Palestina.

Remnick entrevistou o xeque Nayef Rajoub, que, nas recentes eleições, foi
o recordista de votos da Cisjordânia. Rajoub, depois de lamentar que o
mundo ocidental "da moda e da mídia" seja "controlado por judeus",
declarou: "Freud, um judeu, é aquele que acabou com a moral, e Marx
acabou com as ideologias divinas".

Não sei se Freud acabou com a moral (por razões que explicarei a seguir,
penso o contrário) e não parece que Marx tenha acabado com as ideologias
divinas. Seja como for, Rajoub tem razão de agrupar Freud e Marx numa
mesma execração do Ocidente (que é, segundo ele, devasso e perdido).

Para justificar essa reunião de Marx e Freud, não é preciso recorrer às
tentativas (típicas dos anos 60 e 70) de juntá-los num único projeto
revolucionário que transformaria de vez a subjetividade (a vida
cotidiana) e a organização social e econômica de nosso mundo. Ou melhor,
para justificar a antipatia do xeque por Freud e Marx, não é preciso
ressuscitar Herbert Marcuse.

Marx e Freud são os pensadores modernos que transformaram mais
radicalmente nossa maneira imediata, espontânea, de enxergar a realidade.
Pouco importa que sejamos freudianos ou marxistas, pouco importa que a
gente tenha lido o que Marx e Freud escreveram: depois deles, pensamos
diferente. Como?

Espontaneamente, a partir de Marx, enxergamos nossa realidade social,
econômica e política como uma arena de conflitos e, a partir de Freud,
pensamos a subjetividade como um conflito interno permanente.

Ora, o xeque Rajoub não gosta de conflitos, a não ser que sejam conflitos
bem externos -com o povo judeu, por exemplo, ou com o Ocidente. Conflitos
em casa ou na cabeça, nem falar. Rajoub tem razão: a influência de Marx
sobre seus eleitores seria péssima, a de Freud pior ainda.

Mas voltemos à idéia do xeque, segundo a qual, entre os ocidentais, Freud
teria acabado com a moral. Talvez ele esteja estigmatizando, via Freud, a
liberdade de nossos costumes sexuais. Mas é possível que sua crítica seja
mais "pertinente": de fato, Freud, com suas histórias de inconsciente, de
desejos reprimidos, de conflitos psíquicos, tornou o juízo moral muito
complicado.

Na distinção entre o bem e o mal, as coisas se atrapalham quando (na
aurora da modernidade ocidental) a gente começa a confiar no foro íntimo
de cada um e pára de acreditar cegamente nas regras transmitidas pela
tradição, religiosa ou não. Elas só pioram quando, com a experiência
freudiana, no dito foro íntimo, enfrentam-se pensamentos e afetos
contraditórios e de difícil acesso pelo próprio sujeito.

Segundo o xeque Nayef Rajoub, este é o fim da moral: as pessoas, em vez
de obedecer ao que foi escrito ou dito pelos anciões, pensam com sua
própria cabeça e, além disso, seus pensamentos são conflituosos e
confusos. Mas esse "fim da moral" é o começo do que nós chamamos
comportamento moral.

Para o xeque, ser moral significa seguir as regras. Para nós, ser moral
significa se perguntar o que é moral e o que não é. A resposta pode ser
difícil ou impossível; podemos não "saber" nunca se o aborto ou o
suicídio assistido são morais: o que importa é que a gente não pare de se
interrogar sobre a moralidade desses atos.

Do ponto de vista ocidental, Rajoub é profundamente imoral, porque não se
questiona. E Freud é um pensador moral, por ele ter complicado
singularmente nosso questionamento.

O xeque Nayef Rajoub não é o único que não gosta de Freud. Em 2004, um
entrevistador perguntou a George W. Bush se sua decisão de invadir o
Iraque não podia ser inspirada pela vontade de continuar a obra de seu
pai ou de mostrar que ele saberia levá-la até o fim. George W. Bush não
gostou dessa sugestão "freudiana" e respondeu que ele não iria "se deitar
no divã". Não sei se a decisão de invadir o Iraque foi ou não produzida
por algum sintoma da família Bush, mas tendo a pensar que, na hora de
decidir sobre a vida e a morte de milhares de pessoas, deitar-se num divã
seja uma boa idéia. Não porque isso simplificaria a decisão, mas,
justamente, porque a complicaria.

No sábado retrasado, Freud teria feito 150 anos. A data está sendo
celebrada -com aplausos e algumas vaias.

Mas, seja qual for nossa opinião sobre a eficácia da psicanálise ou o
valor de sua teoria, o fato é que Freud mudou de maneira irreversível
nossa experiência de nós mesmos.

Em particular, graças a ele, o foro íntimo, onde fazemos nossas escolhas,
tornou-se para sempre um lugar mais complexo e atormentado. Com isso,
mesmo se a psicanálise for relegada um dia no museu das terapias
ultrapassadas, Freud continuará sendo um luminar da consciência moral
ocidental.

Um ditado diz que os inimigos de nossos inimigos são nossos amigos. Ele
não é sempre verdadeiro, mas, no caso, nesse começo de século, fico
satisfeito de estar em companhia de Freud.
@ – ccalligari@uol.com.br
Um abraço a tod@s!!!!!

Maurílio Maldonado

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Uma resposta para Resposta do Dr Maurilio sobre o assunto sa Ética Global e a moralidade

  1. Projeto @mar disse:

    Caro Amigo,
     
     
    Foi com muita alegria que recebemos diversas visitas e mensagens em nosso Space. Em especial a sua mensagem de vibração positiva, nos dando a certeza que estamos navegando no caminho certo nos gerando mais confiança e motivação para continuarmos enfrente.
     
    Nossa maior necessidade de colaboração neste momento é na área pedagógica.
     
    Necessitamos de orientação e conteúdo pedagógico para darmos inicio a elaboração e realização dos documentários que pretendemos criar e disponibilizar para escolas publicas.
     
    Caso você possa colaborar ou se conhece alguém desta área que tenha disponibilidade e vontade de participar de nosso projeto estamos à disposição.
     
    Outra colaboração necessária é a divulgação de nosso projeto, pois cada visita, cada mensagem é de grande importância para chamar atenção das autoridades políticas ligados ao setor da educação. Pois cada registro de visita é um numero e cada numero tem um peso enorme para nos ajudar a abrir caminhos e assim colaborarmos com a educação de nosso pais.
     
    Atenciosamente.
     
     
    Família Tiscornia Selaibe
    Projeto @mar-Inclusão Digital
    Projeto.amar@hotmail.com
     
     
     
    Os.: Caso queira receber mais informações ou detalhes de nosso projeto nos envie um e.mail.
     

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