Segunda Carta de Roberto Andersen sobre a Unificação e o Rev Moon

De : 

Roberto Andersen <robertoandersen@iupe.org.br>

Envoyé : 

dimanche 26 février 2006 21:51:12

À : 

"’Christian Lepelletier’" <chrislepel@hotmail.com>

Objet : 

IUPE-mensagem

 

Prezado Christian Lepelletier,

 Embora eu ainda não o conheça pessoalmente, fico satisfeito ao ler sua revolta acerca da clara discriminação mal disfarçada. Infelizmente, em alguns momentos, precisamos de muita sutileza para alcançar nossos objetivos, mesmo que eles sejam positivos e benéficos para a humanidade. O sistema vigente tem suas necessidades e, por isso mesmo, cria regras que só conseguimos entender depois de lermos “O Príncipe”, de Maquiavel, ou “A Arte da Prudência”, do Padre Baltazar Gracián.

 Há sempre o poder do sistema materialista superando as atitudes teoricamente espirituais de um grupo que se forma dentro de um ideal positivo, como nesse caso: a busca da Paz. Recordo que Sang Hun Lee comentava que “o homem tornou-se incapaz de ser o que realmente deseja embora a mente espiritual empreenda esforços contínuos no sentido de retornar à sua posição original”. No caso o homem tenta ser “da paz”, procurando, mesmo inconscientemente, o retorno ao que foi ”antes da queda”. Mas esse caminho é muito difícil de trilhar, já que ele mesmo construiu obstáculos materiais em forma de necessidades sociais e de consumo, que determinam os comportamentos e as atitudes.

 O Reverendo Moon aparece na mídia como um “fora do padrão”, que deve ser desprezado. Os únicos valores que aparecem de sua caminhada são os materiais, quando mostram as fazendas, os hotéis, os carros, e tudo o mais. Não são mostrados os valores da reconstrução de uma sociedade perdida e conturbada, porque não interessa ao sistema.

 Mas o sistema tem que mostrar que está perseguindo os mesmos ideais, mesmo que sejam atitudes “de fachada”, algumas vezes até para justificar o uso de alguma verba específica para esse ou aquele fim… e nesses momentos aparecem movimentos que disseminam objetivos muito parecidos com o da Unificação, só que inconsistentes e sem a sua verdadeira essência.

 Minhas decepções têm sido muito freqüentes com todas essas atitudes que vejo. Mas percebo que as pessoas é que estão perdidas, sem saber ao certo quais são os seus ideais. Elas tentam seguir uma espécie de impulso para voltar  ao eu original, para isso desenvolvendo um ideal positivo, mas sua dependência do sistema as impede de abrir seus horizontes e perseguir, de verdade, um ideal puro e sincero.

 E também percebi tais problemas dentro da própria Unificação, decepcionando-me grandemente com dirigentes de alto nível, dentro do grupo americano, cujos ideais não são, de forma alguma, semelhantes ao que preconiza o Reverendo Moon. Ou seja: essa atitude que tanto o incomodou eu também encontrei, em um determinado momento, em pessoas do próprio movimento. Isso não deve ser encarado como um problema, mas como um desafio!,

 Mas nem sempre agente consegue ver como desafio. Essas atitudes foram as que determinaram o meu afastamento, fazendo com que eu passasse a me dedicar ao ideal preconizado pelo Reverendo Moon e pela Dra Hak Já Han Moon, mas afastado do grupo, já que as orientações recebidas foram totalmente inaceitáveis para o projeto de vida que desenvolvo em meu Instituto. Hoje o trabalho está  difícil na parte financeira, mas facílimo na parte de transformação social. Estou conseguindo preparar professores capazes de construir, em cada criança e adolescente, um cidadão verdadeiramente voltado para o eu original, mais puro e mais consciente de seus caminhos e dos desafios que irá encontrar.

 Nesse trabalho estou totalmente dedicado ao entendimento do amor, da forma como Sang Hun Lee diz: “o amor é o fundamento para a verdade, a beleza e o bem; portanto, uma vida, que se compõe desses três atributos e se centraliza no amor, é uma vida de valor – que existe para a família, para a nação, e assim por diante – e em grau mais elevado, em ser para Deus”.

 Ainda estou tentando me recuperar financeiramente e por isso não consigo ainda ajudar, na proporção que eu gostaria, os ideais do Rev Moon. Infelizmente os recursos que tenho tentado, até para bolsas de estudo, estão sendo direcionados a instituições que “aparecem na mídia”… Mas no momento em que as coisas melhorarem estarei dando o apoio que desejo e disseminando, de forma sutil mas definitiva, tais ideais de vida.

 Um grande abraço,

 Roberto Andersen

 

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